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Intervenções na AR (escritas)
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09/06/2020
Debate sobre Relançamento do Turismo – DAR-I-059/1ª

Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: A crise que se vive atualmente torna-se, realmente, muito desafiadora para todo o mundo. Sabemos já que as questões sociais e económicas serão setores que necessitam de mais atenção e de iniciativas concretas para que sejam ultrapassadas as dificuldades como o desemprego, a saúde pública, a sobrevivência de cada um.

Em Portugal, o setor do turismo encontra-se com as maiores dificuldades porque a COVID-19 travou a circulação de pessoas entre os diferentes países do mundo. Por isso, será um dos setores que necessitará de mais investimento e apoio para que possa relançar-se e para que as empresas da área sobrevivam a esta fase de confinamento até à reabertura das fronteiras.

O setor do turismo vai sofrer graves prejuízos: desemprego, fecho de empresas e encerramentos de investimentos locais, que passavam, muitas vezes, pela promoção de localidades. Em Portugal, muitas aldeias tinham no turismo uma importante fonte de rendimento, desde os alojamentos locais até ao artesanato.

Relembramos que muitos dos transportes terrestres eram também usados para o desenvolvimento do turismo no interior e, por isso, serviam as suas populações. Com a diminuição do número de turistas, muitas destas localidades ficaram novamente isoladas e sem qualquer possibilidade de desenvolver as suas pequenas e médias empresas, que viviam apenas do turismo.

Por isso, Os Verdes não são contra qualquer proposta de apoio para alavancar a atividade turística nacional, nem nos opomos a que o PS proponha ao Governo que sensibilize as autarquias, que são maioritariamente do PS, para que suspendam taxas contra as quais votámos.

Consideramos, no entanto, que este seria o momento ideal para se trabalhar uma outra visão para o turismo em Portugal, sustentável, que não contribua para a poluição das principais linhas de água portuguesas, seja no Douro ou no Tejo.

Também não será aceitável incentivar as empresas a endividarem-se para depois o Governo decidir transformar o País num «queijo suíço», apostando na exploração de lítio em locais que a população está, hoje, a preservar e onde se pratica um verdadeiro turismo sustentável.

As questões de circulação e mobilidade são importantes para que os turistas nacionais e internacionais possam conhecer o nosso território e para que seja possível viajar de forma segura, confortável e contribuindo para a descarbonização. Infelizmente, não é a isso que assistimos, pois soubemos que a Renfe (Rede Ferroviária Espanhola) anunciou não retomar proximamente — e quem sabe se alguma vez retomará!? — o comboio-hotel entre Lisboa e Madrid, esta que é a única ligação ferroviária entre as duas capitais.

Falta aqui preocupação com a necessária mudança de comportamentos e com a verdadeira mudança urgente para travar as alterações climáticas, que não se faz apenas com palavras, mas, sim, com ação.

O exercício que o PS hoje, aqui, nos traz é uma espécie de prova de vida. Mal, não faz, mas é preciso muito mais do que isso.

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