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23/01/2009
Tomada de Posse de Barack Obama
Intervenção do Deputado de Francisco Madeira Lopes
Reunião plenária de 2009-01-23
 
 
 
 
Sr. Presidente, Srs. Deputados,
 
Os Verdes consideram positivo que as democracias de todos os países funcionem regularmente, como é normal e desejável, e felizmente não é assim tão raro que motive votos de congratulações.
É claro que, com esta nova presidência dos Estados Unidos da América, gostaríamos de assistir a uma mudança radical das políticas, mormente no que diz respeito à política ambiental e energética, que tem impactos à escala global, sabendo-se concretamente que os Estados Unidos da América são os maiores poluidores per capita do mundo, mas também no que toca à desnuclearização militar e civil a nível global, bem como no que diz respeito à sua postura na política externa, deixando de agir com a máscara de polícia ou de pseudopaladino da democracia, ao abrigo da qual tem semeado a guerra e violado direitos humanos em vários locais do mundo, por razões economicistas, de controlo de recursos naturais e de poder, e passando a assumir-se, finalmente, na sociedade das nações condignamente, apenas — e não é pouco — como mais uma Nação, como um país empenhado, em pé de igualdade com os outros países, respeitando-os na paz e na solidariedade mundial, ao abrigo do direito internacional.
Desejamos, profunda e sinceramente, a bem do povo estado-unidense, da paz mundial e do respeito dos direitos humanos, que as grandes expectativas que hoje alguns acalentam em relação ao novo presidente dos Estados Unidos não venham a ser goradas e que à emoção não se siga a desilusão.
Congratulamo-nos, naturalmente, e regozijamo-nos com o anúncio do encerramento do campo de concentração vergonhoso e ilegal de Guantánamo, onde se praticou a tortura e se recusaram os mais elementares direitos humanos e judiciários, que não só manchou os Estados Unidos mas marcou também a nossa história contemporânea da pior forma possível.
Mas, apesar do conteúdo do texto do voto não nos oferecer reservas significativas e, independentemente da hipocrisia de quem o apresenta, a verdade é que não consideramos curial que a Assembleia da República portuguesa se pronuncie e se congratule por um determinado resultado eleitoral de uma democracia, que reflecte a escolha de um povo soberano.
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